sexta-feira, 29 de junho de 2012

Mais duas emissoras comunitárias são proibidas de exibirem comerciais .

A justiça de São José dos Pinhais e de Guarapuava deferiu a tutela antecipada à ação movida pelo SERT (Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão do Estado do Paraná) proibindo duas emissoras comunitárias de divulgarem propaganda comercial, o que é proibido pela Anatel e pelo Ministério das Comunicações. As rádios faziam anúncios publicitários com valor irrisório, prejudicando as emissoras comerciais fazendo concorrência desleal.

As rádios comunitárias ficam em São José dos Pinhais e Guarapuava, e juntas, poderão ter de pagar 20 mil reais diários de multa, caso não cumpram a decisão.

Segundo o presidente do SERT-PR, Alexandre Barros, a entidade move cerca de 150 ações semelhantes em todas as regiões do Paraná. " Estamos trabalhando muito a fiscalização, para garantir que as comunitárias irregulares se adequem à lei e não tragam prejuízo ao setor", garantiu.

No oeste promotor entra no caso e tira rádio do ar

O Ministério Público de Cruzeiro do Oeste , representado pelo promotor Rogério Barco de Toledo, investiga emissora que não está cumprindo o acordo que exige a suspensão da exibição de comerciais.
A conciliação firmada entre o SERT e a Associação Comunitária de Comunitária e Cultural de Cruzeiro do Oeste aconteceu no dia 09 de maio, e desde então, a rádio continua realizando propaganda comercial. O promotor recebeu do SERT-PR um cd com as gravações que comprovam a irregularidade e tirou a emissora do ar por 30 dias.
Balanço das ações

Das 150 ações movidas pelo SERT-PR, foram obtidas até agora 56 liminares favoráveis, dez agravos de instrumento , quatro acordos e apenas cinco liminares que foram derrubadas pelas rádios irregulares.

Informação: AERP-- 

Maninho Foto sempre na luta pela verdadeira Rádio Comunitária

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Movimento de rádios comunitárias desconfia de parceria entre Abert e Ministério das Comunicações .


      Coordenador Geral da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária, José Sóter, disse que considera perigosa a relação de dependência entre o público e o privado no caso da parceria proposta pela Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) para financiar sistema de informática destinado a automatizar os processos de outorga no Ministério das Comunicações. Segundo Sóter, a Abraço sempre defendeu a criação de um conselho de acompanhamento de processos no MC para agilizar as tramitações dos processos. "O Governo nunca aceitou nem conversar com a Abraço sobre a questão. Nós não temos recursos financeiros para financiar informatização, mas temos pessoas envolvidas com a radiodifusão democrática e disposição para participação voluntária no processo", esclareceu.

Já o Secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do Minicom, Genildo Lins (foto), afirma estar mais preocupado com a qualidade do produto que vai ser "doado" pelos empresários. "Nós não sabemos sequer quem são os financiadores. Se o produto não for bom, o setor privado vai ter gastado os recursos desnecessariamente", analisa.

O Secretário também não vê problemas na relação próxima dos empresários de radiodifusão com o ministério que regulamenta e fiscaliza o setor. "Se o Movimento Brasil Competitivo nos entregar um produto que atenda às nossas necessidades, nós vamos aceitar de bom grado. Afinal, se o governo não consegue arcar com os custos desse sistema, que é muito caro, nós não podemos dizer que o setor privado não pode ajudar o governo", justifica Lins.

Por outro lado, José Sóter, das rádios comunitárias, disse não "confiar em lobos tomando conta das ovelhas". Para ele, existe o sério perigo de se abrir brechas na segurança da rede interna de computadores do Ministério, deixando margens para obtenção de informações privilegiadas. "Desconfio das reais intenções dos radiodifusores comerciais", afirmou ele, que acha uma humilhação para o Governo aceitar esse patrocínio da Abert.






terça-feira, 26 de junho de 2012

Rádios comunitárias de Minas Gerais estruturam sua organização .

Posted: 26 Jun 2012 11:06 AM PDT

Rádios Comunitárias de cinco regiões de Minas Gerais se mobilizaram em encontros. O Estado possui a maior quantidade destas emissoras no Brasil. Foram realizadas reuniões no Triângulo Mineiro, Sul de Minas, Norte de Minas, Centro-Oeste Mineiro, Campo das Vertentes e Região Metropolitana. As três últimas foram promovidas nos messes de maio e junho, já primeiras, aconteceram no ano passado.

Nos encontros, foram discutidos a conjuntura nacional de luta pelo financiamento público, a alternância de canais, o aumento da potência e a formação dos comunicadores. As emissoras também expuseram suas dificuldades e conquistas sociais. No encontro do Campo das Vertentes, no dia 5 de maio em Barbacena, Davi (Rádio Libertas de Ressaquinha) defendeu a necessidade de formação dos locutores. A importância da organização das emissoras comunitárias foi lembrada por Pedro Ivo na reunião na reunião da região metropolitana (25 de maio, em Belo Horizonte).

Jerônimo, da Mega Fm de Igaratinga, reivindica uma urgente mobilização para a mudança dos canais, durante o Encontro do Oeste Mineiro, no dia 26 de maio, em Divinópolis. Por sua vez, Caio Freitas, da Liberdade 98 Fm de Nova Serrana, sugeriu a produção colaborativa de conteúdo, durante o Encontro das Rádios da Central Mineira, no dia 23 de junho. Em Governador Valadares, João Venâncio, da Nova Tropical Fm de São Sebastião da Antra, luta para que a emissora cheguem às comunidades rurais.

O articulador da Abraço Minas Gerais, Ismar Capistrano, que coordenou os últimos encontros, explica que irá realizar ainda no Vale do Jequitinhonha e Zona da Mata para em seguida reunir os coordenadores das regionais e organizar o Congresso Estadual. O coordenador executivo da Abraço Nacional, José Sóter, acredita que o evento será o maior da história da Abraço no Estados.

Informações: Ismar Capistrano

Maninho Foto sempre na luta pela verdadeira Rádio Comunitária


Marco Regulatório: Senhor ministro, o que falta?


Por Venício A. de Lima

   Um ano e meio após a posse da presidenta Dilma Rousseff, o ministro das Comunicações Paulo Bernardo fez um importante pronunciamento sobre "Regulação e Liberdade de Expressão", na abertura do 26º Congresso da Abert, em Brasília, na terça-feira (19/6). Estava lá boa parte dos concessionários do serviço público de radiodifusão. Ausentes os empresários filiados a Abra (redes Band e RedeTV!) e a Abratel (Rede Record).

Trata-se, sem dúvida, do mais claro posicionamento deste governo sobre o tema até o dia de hoje [ver aqui a íntegra do discurso do ministro].

A cobertura da grande mídia sobre a abertura do Congresso da Abert, por óbvio, optou por destacar a "flexibilização" do horário de transmissão da Voz do Brasil e as garantias sobre a "liberdade da imprensa" – como se ela estivesse sob constante ameaça. Uma leitura isenta do pronunciamento do ministro das Comunicações, todavia, não poderá ignorar que, além das reiterações de praxe sobre o respeito à liberdade de expressão e a ausência de incompatibilidade entre regulação e democracia, estão lá as seguintes afirmações:

1.A questão de um marco regulatório para as comunicações no Brasil se transformou em questão de "bom senso":
"Quanto à necessidade de regulação, ou de atualização das leis que regem a comunicação no Brasil, minha expectativa é de que o tema avance e ganhe apoio rapidamente, até por questão de bom senso";

2.A legislação do setor está totalmente defasada e as normas e princípios constitucionais sobre o assunto não foram regulamentadas:

"O rádio e a televisão são regulados por uma Lei que completa meio século de vida em 27 de agosto próximo. Se não bastasse, a Constituição de 1988 prevê que questões como a programação local e independente ou o estímulo à cultura regional sejam regulamentadas. E até hoje inexiste qualquer lei que discipline como isso deve ser feito";

3.Não deve surpreender, portanto, que exista uma série de questões concorrenciais, jurídicas e estratégicas que não encontra resposta no quadro legal existente. Alguns exemplos:
"A regra que obriga o controle de empresas jornalísticas por capital brasileiro vale para a internet? As empresas que vendem conteúdos online ou em televisores conectados devem ser submetidas a regras semelhantes às da TV paga ou radiodifusão? O que deve ser feito para que o audiovisual brasileiro continue a ser produzido e veiculado em um mercado no qual a infraestrutura e os serviços estão em mãos de grandes empresas multinacionais? Como se pode garantir a livre circulação de conteúdos e a pluralidade de fontes de informação em um mercado que tende à concentração, como é o caso das telecomunicações ou dos gigantes da Internet? Quais devem ser os mecanismos para que o Brasil continue a contar com um ambiente jurídico e normativo que permita, no longo prazo, que empresas continuem a prestar serviços gratuitos, como é o caso atual do rádio e da televisão?";

Acesso plural

4.A possibilidade de avanços na normatização do setor chegou ao limite. Não há como prosseguir sem um novo marco regulatório:
"Com a modernização do Regulamento de Serviços de Radiodifusão (…) chegaremos ao limite dos avanços infralegais que podem ser feitos no atual ambiente regulatório das comunicações. Para irmos além, precisamos de uma nova Lei – e não podemos esperar que o rádio e a televisão sejam substituídos pela Internet para dar início à sua formulação";

5.Os objetivos de uma Lei Geral proposta pelo Executivo não incluem a prática do jornalismo e, portanto, não se aplicarão a jornais e revistas. São eles:
"(a) regulamentar os artigos constitucionais relativos à comunicação eletrônica,(b) modernizar as regras provadamente defasadas e (c) possibilitar o tratamento à convergência tecnológica";

6.A ausência de interferência do Estado (liberdade negativa) não é garantia da liberdade de expressão. É necessário que o cidadão comum tenha também garantidos seu direito de acesso à informação e às tecnologias que "mediam" o debate público:
"Abominamos a censura ou o que se chamou de "controle sobre a mídia". Do mesmo modo, sabemos que o pleno exercício das liberdades individuais vai muito além da não interferência do Estado nas atividades jornalísticas. Ele passa pelo acesso dos cidadãos às variadas fontes de informação e meios de comunicação".

Questão premente

A nota à imprensa divulgada pela Abert ao término do seu 26º Congresso fala em "resultados altamente positivos" e destaca especificamente "a garantia do governo, através do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, de que o novo marco legal da comunicação eletrônica será fruto de diálogo com toda a sociedade e que seu conteúdo respeitará os princípios de liberdade de expressão e de imprensa, sem impor qualquer tipo de controle sobre os veículos de comunicação no país" (ver aqui a íntegra da nota).
Nas últimas semanas, setores impermeáveis até mesmo ao debate sobre um marco regulatório para as comunicações têm feito declarações reconhecendo a necessidade de uma proposta legal e de sua discussão pública.

Diante desses fatos, reaparece a incontornável questão: o que impede o governo da presidente Dilma de colocar em debate uma proposta de regulação para setor de comunicações?
Senhor ministro, o que falta?

[Venício A. de Lima é jornalista, professor aposentado da UnB e autor de, entre outros livros, de Política de Comunicações: um balanço dos Governos Lula (2003-2010), Editora Publisher Brasil, 2012]

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Abert vai financiar informatização da gestão do Ministério das Comunicações

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